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Eu tenho sentimentos.
Choro e rio. Vivo e sofro. Gosto e não gosto.
Não sou uma barreira intransponível, não. Sei que sou forte e animado, e que sou melhor do que isto, mas no entanto, estou desorientado. Estou cansado de me esforçar tanto, e não receber a recompensa que penso ser merecida.
Umas vezes, as pessoas não vêem os meus esforços, os meus sacrifícios, outras vezes, não querem ver, têm medo do que isso lhes possa vir a causar. Mas desta vez é diferente. Desta vez, simplesmente já nem se importam. Sabem que faço tantos sacrifícios, quase todos os dias, tentando ser perfeito, mas nada vale a pena. Tornaram-se tão banais, que já nem vale a pena reparar nesses “pequenos” sacrifícios.
Estou cansado de cair tanto. Caio, caio, caio e caio novamente. Mas persisto, mesmo pela calada. Estou habituado a cair, se é que me faço entender. O pior é que nunca sei porque caio tão repetidamente, só houve uma vez, uma única vez em que não me deixei cair, porque tinha a pessoa certa ao meu lado. Pelo menos eu pensava que era a pessoa certa. Certamente o foi na altura. Passado isto, cai outra vez, mais uma vez não compreendendo o porquê. Acho que venho sempre na altura errada.
Quem me conhece pode compreender este exemplo: eu estou constantemente a cair quando jogo futebol, mas levanto-me imediatamente, e vou a correr atrás da bola. Faço muitas pisaduras, mas à medida que o tempo passa já não fico com pisaduras de cair, porque o meu corpo já está habituado. No entanto, passando alguns jogos e caio novamente, mas faço uma pisadura nova, sinal de que a queda é nova.
Gosto de ser amado verdadeiramente, e de viver esse sentimento. Gosto de ver sacrifícios desprovidos de qualquer outra razão, simplesmente com o objectivo de me agradarem, tal como eu faço imensas vezes.
Revejam-se, a quem serve a carapuça.
Mas eu estou a levantar-me, mais uma vez, para ser novamente o mais forte.
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